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A extração de dente em cão como funciona é uma das dúvidas mais comuns entre tutores que percebem mau hálito persistente, tártaro amarelado na base dos dentes, gengiva vermelha e sangrando ao toque, ou um Gold Lab Pet Odontologia que mastiga de um lado só, deixa cair comida e reluta em pegar brinquedos. A resposta curta é: não se trata de "arrancar" um dente com uma pinça, mas de um procedimento cirúrgico realizado sob anestesia geral, com diagnóstico por imagem, instrumentos específicos e fechamento da ferida — exatamente como ocorre na odontologia humana, com adaptações anatômicas para cada espécie e porte.



Entender o passo a passo importa porque a extração é quase sempre o desfecho de um processo que começou silencioso. A doença periodontal atinge a maioria dos cães acima de três anos em algum grau, e quando a perda óssea avança, o dente deixa de ter sustentação. Nesse ponto, mantê-lo na boca não é conservador: é manter uma fonte crônica de dor e de bactérias que caem na corrente sanguínea. Este guia percorre o diagnóstico, a técnica, a recuperação e a prevenção para que você saiba exatamente o que esperar — e quais perguntas fazer ao odonto veterinário.

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Por que o veterinário indica a extração de dente



Antes de entrar na técnica, é preciso entender o motivo clínico. A extração raramente é a primeira escolha por conveniência; ela é indicada quando o dente já perdeu função ou representa risco para a saúde geral do animal. Quatro cenários concentram a maior parte dos casos.



Doença periodontal avançada e perda de inserção



O ligamento periodontal é o conjunto de fibras que ancora a raiz ao osso alveolar. Quando a placa bacteriana mineraliza e forma tártaro, a gengiva inflama (gengivite) e, sem tratamento, a inflamação desce para os tecidos de suporte (periodontite). O osso alveolar é reabsorvido, a gengiva retrai e o dente começa a oscilar. Em estágios avançados, a bolsa periodontal pode atingir mais de metade da raiz. Um dente com mobilidade grau 3 — que se move verticalmente e lateralmente — não tem mais como ser salvo, e mantê-lo significa dor contínua ao mastigar.



Fraturas, dentes não vitais e infecção periapical



Dentes fraturados que expõem a polpa (a "câmara" interna com nervos e vasos) tornam-se porta de entrada para bactérias. A infecção chega ao ápice da raiz e forma abscesso periapical, que pode drenar por uma fístula na pele da face ou dentro da boca. Dentes com coloração rosada, cinza ou escura indicam necrose pulpar. Em casos assim, existem duas rotas: tratamento de canal (endodontia), quando o dente é funcional e há estrutura suficiente, ou extração. Em cães de trabalho, cães que mordem objetos duros e dentes estratégicos como caninos, a endodontia costuma ser preferida — mas ela exige profissional com formação específica e nem sempre é viável.



Reabsorção dentária em gatos e dentes retidos



Nos gatos, a reabsorção dentária (lesão odontoclástica) é a causa mais frequente de dor oral e de extração. O organismo literalmente destrói o próprio dente, muitas vezes abaixo da gengiva, criando cavidades que expõem a polpa. O tutor vê apenas um gato que come pouco, saliva ou "trava" a mandíbula ao bocejar. Já dentes retidos (que não erupcionaram), dentes decíduos persistentes e dentes em má oclusão que traumatizam o palato também costumam ser extraídos para evitar lesões crônicas.



A avaliação que define a técnica e a segurança



Nenhuma extração deveria começar sem uma avaliação estruturada. É essa etapa que separa um procedimento previsível de um episódio de complicações, e é também onde o tutor tem mais espaço para fazer perguntas. Três blocos compõem essa fase.



Exame oral completo sob anestesia e sondagem periodontal



O exame com o animal acordado é limitado: cães e gatos raramente permitem que se examine a face interna dos dentes ou a profundidade das bolsas. Sob anestesia, o veterinário faz a sondagem periodontal dente por dente, medindo a profundidade da bolsa em milímetros, avalia a mobilidade, procura fraturas, fístulas e lesões de reabsorção. Um odontograma — mapa numerado da boca — registra cada achado. É comum o tutor autorizar a limpeza e descobrir, na ligação do pós-operatório, que foram necessárias três extrações. Isso não é surpresa desagradável: é o resultado de ver, finalmente, o que a boca escondia.



Radiografia intraoral: o exame que muda o plano



A radiografia intraoral é considerada padrão-ouro em odontologia veterinária. Em cães, cerca de metade do dente está abaixo da gengiva; sem imagem, o cirurgião trabalha às cegas. A radiografia revela perda óssea, reabsorção radicular, dentes fraturados com fragmentos retidos, dentes impactados e a relação entre raízes e estruturas nobres, como o canal mandibular. Ela também é feita ao final, para confirmar que nenhum fragmento ficou no alvéolo — a causa mais comum de extração que "não cicatriza".



Exames laboratoriais e classificação do risco anestésico



Hemograma, perfil bioquímico, avaliação cardíaca e, quando indicado, eletrocardiograma e pressão arterial definem o risco anestésico. A anestesia moderna em veterinária é segura e adaptada ao paciente idoso ou cardiopata, com protocolos balanceados, monitorização de pressão, capnografia e controle térmico. Adiar a extração por medo da anestesia costuma ser mais arriscado do que realizá-la: a infecção oral crônica agride coração, fígado e rins de forma contínua.



Como funciona a extração de dente em cão passo a passo



Com o diagnóstico fechado, começa a cirurgia. A lógica é sempre a mesma: criar espaço, separar o dente do osso sem forçar estruturas, e fechar o alvéolo para que a gengiva cicatrize por cima. Cada etapa existe para reduzir trauma e prevenir fragmentos retidos.



Anestesia geral, bloqueios locais e monitorização



O paciente recebe anestesia geral inalatória, com acesso venoso para fluidoterapia e administração de analgésicos. Em seguida, aplica-se o bloqueio anestésico local — infiltração ou bloqueio do nervo mandibular e maxilar — com anestésico de longa duração. Esse passo é o que garante que o animal acorde confortável e reduza a necessidade de opioides no pós-operatório. Durante todo o procedimento há monitorização de frequência cardíaca, saturação de oxigênio, pressão arterial e temperatura, com colchão térmico para evitar hipotermia.



Sindesmotomia: separar o dente do ligamento periodontal



O primeiro movimento cirúrgico é a sindesmotomia. Com uma lâmina fina e afiada (lâmina de sindesmótomo), o profissional corta as fibras do ligamento periodontal em toda a circunferência do dente, inserindo a lâmina paralela ao eixo da raiz. É uma etapa discreta e decisiva: dentes extraídos sem sindesmotomia completa exigem mais força, fraturam com facilidade e deixam raízes para trás.



Odontosecção em dentes multiradiculares



Dentes com mais de uma raiz — pré-molares e molares — não saem inteiros sem risco de fratura.

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